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MOTIVOS PARA AMAR SANTA TERESINHA
Pio XI chamou-a a maior santa dos tempos modernos. Os escritos de Santa Teresinha e a história da sua vida conheceram uma divulgação extraordinária: traduzida em todas as línguas estão na origem de muitas conversões e muitas vocações. A "História de uma alma" é um dos livros mais lidos em todo o mundo.
Depois de Nossa Senhora, ela é, segundo confessa Conrad de Maester, a mulher mais querida dos cristãos. O povo conhece-a como Santa Teresinha, nome que ela mesma confessou ser o que mais lhe agradava. Dificilmente se encontra uma igreja que não tenha uma imagem de Santa Teresinha ou uma diocese sem uma igreja ou capela consagrada a ela. No Brasil, mais de 150 paróquias lhe são dedicadas.
A mensagem de Teresinha do Menino Jesus é uma mensagem para o povo simples. A sua linguagem e a sua doutrina são acessíveis a todos. É a espiritualidade dos pequeninos, em que sobressaem os valores da paternidade de Deus e da confiança das crianças.
Para ela, a santidade é acessível a todos e enquadra-se nos gestos e nos ritos mais simples da vida de todos os dias. As pessoas vêem-se em Teresinha de Jesus como num espelho: a sua própria vida feita de pequenos nadas, de luzes e sombras de cruzes e alegrias. O seu sorriso cheio de paz, a sua adolescência povoada de sonhos, os seus gestos cheios de delicadeza feminina, aproximam Teresinha de toda a gente e todos a sentem ao seu lado. Foi ela, muito antes do Vaticano II, que ensinou ao povo os caminhos da santidade.
Por outro lado, os grandes teólogos do nosso século procuram aprofundar os ensinamentos de Santa Teresa, à primeira vista distantes de qualquer reflexão sistemática. Um desses teólogos, Conrad de Maester, fez a sua tese de doutorado sobre Teresa de Lisieux, a que deu o nome de "As mãos vazias". Ele que presidiu a comissão de teólogos que preparou a tese que levou Santa Teresinha a ser proclamada doutora da Igreja. Foi a terceira mulher a receber essa distinção, depois de Teresa de Ávila e Catarina de Sena.
Fala-se hoje muito do ecumenismo teresiano. Os protestantes que leram os escritos de Santa Teresinha encontraram nela os principais valores que eles próprios realçam: a centralidade da Palavra de Deus, a confiança na sua misericórdia, o distanciamento dos méritos próprios em face da graça divina.
Os ortodoxos por sua vez, descobriram em Santa Teresinha uma pessoa sempre aberta à ação do Espírito Santo e admiram a sua profunda devoção mariana que contempla a Virgem como nossa mãe e modelo do caminho que nos leva a Jesus. Até por esta dimensão ecumênica, Santa Teresinha é profundamente atual.
Os próprios não crentes confessam como a vida de Santa Teresinha mudou as suas vidas. O drama da sua busca de Deus, no meio de trevas e tentações contra a fé e luz para tantos que buscam Deus às escuras. Nos últimos meses da sua vida, Teresa de Lisieux viveu a purificação dolorosa da fé. Diz Blanchard que neste laboratório da prova a apóstola dos que não têm fé, um farol para todos aqueles que procuram Deus na obscuridade. A fé de Santa Teresinha não foi feita só de rosas e sorrisos.
Ela encontrou muitos espinhos nesta fidelidade à fé. Foram estes espinhos que não só lhe guardaram a fé mas a fizeram crescer. Bastaria lembrar o retiro de 1889 para a tomada de hábito, que foi um "mergulho nas trevas"; o de 1890, que precedeu a sua profissão e, como todos os que se seguiram lhe trouxe a secura mais completa e quase o abandono; o de 1891, em que ela chegou a perguntar-se se o Céu existia; e a sua grande prova de fé, foi a de sentir durante os últimos 18 meses da sua vida "toda uma bateria de tentações contra a fé , em que todas as consolações da terra se transformaram em amargura".
Pio XI proclamou Teresinha de Jesus padroeira das missões, e isso aconteceu não só por ter feito da causa missionária a grande prioridade do seu pontificado, mas por Santa Teresinha, de fato, ter sido uma grande apaixonada das missões. Durante toda a sua vida de carmelita, Teresa quis ser missionária, esperando ser enviada para o Vietnam, onde havia dois mosteiros carmelitas historicamente ligados ao Carmelo de Lisieux: o de Saigon fundado pelo Lisieux em 1861 e o de Hanói fundado pelo de Saigon em 1895. Ela queria ir para as missões como carmelita. As suas superioras reconheceram a sua vocação missionária, mas hesitavam por causa da sua saúde. Quando pensavam de fato em enviá-la a sua saúde entrou de novo em crise e ela nem chegou a partir. Foi o seu último ano de vida.
Encontramos Teresa missionária na sua autobiografia, nas suas poesias, nas suas últimas conversações, mas de maneira mais explícita na sua correspondência com dois missionários, o Pe. Maurice Bellière e o Pe. Adolphe Roulland, cuja vocação ela partilhava, a pedido da priora do Carmelo, a Madre Inês de Jesus. Teresa é uma irmã que os acompanha, aconselha e vive com eles a mesma aventura que eles estavam a viver.
Retenhamos apenas uma passagem dos seus Manuscritos Autobiográficos, de Setembro de 1895, um ano antes da sua morte: "Tenho a vocação de ser apóstolo. Quereria percorrer a terra para pregar o teu Nome e implantar a tua gloriosa Cruz sobre o solo infiel. Todavia, ó meu Amado, uma só missão não me seria suficiente, queria anunciar o Evangelho em cada uma das cinco partes do mundo e até mesmo nas ilhas mais remotas. Gostaria de ser missionária não por alguns anos, mas desde o princípio da criação até a consumação dos tempos. Mas sobretudo, ó meu Amado Salvador, queria derramar o meu sangue por Ti até a última gota".
Ao contrário de muitas outras experiências e doutrinas marcadas pela época ou pela cultura em que aconteceram, a espiritualidade de Santa Teresinha é de todos os tempos e de todos os lugares. A sua base nitidamente evangélica, a simplicidade e a atualidade da sua linguagem, tornam-na acessível a todas as culturas e atual em todos os tempos. É a santa de todos os povos e todas as situações. É tão amada pelos contemplativos como pelos que missionam nas fronteiras, tão querida pelos católicos como por aqueles que não têm fé. Ninguém como ela soube unir os valores da contemplação aos da missão, à oração ao trabalho, o amor de Deus ao amor do irmãos.
Para Santa Teresinha, a Igreja era realmente o Corpo de Cristo. Quando pelo anos de 1894- 95, ela procura o seu lugar na Igreja, o seu coração não se confina ao Carmelo. Ela queria ter todas as vocações e concebe estas vocações de guerreiro , de padre, de apóstolo, de doutor, de mártir, como modos de viver a sua união a Jesus, que lhe inspira os maiores desejos do universo.
Conhece-se a resposta que ela encontrou na leitura dos capítulos XII e XIII da carta de São Paulo aos Coríntios: "Considerando que o corpo místico da Igreja, não me tinha reconhecido em nenhum dos membros apresentados por São Paulo, eu quis reconhecer-me em todos. finalmente a Caridade deu-me a chave da minha vocação. Compreendi que se a Igreja tem um corpo formado por diferentes membros, o mais necessário e o mais nobre de todos não lhe faltava e então compreendi que a Igreja tem um Coração e que este Coração arde de amor. Entendi que só o Amor faz os membros da Igreja agir, e que se o amor viesse a faltar, os apóstolos não anunciariam o Evangelho, os mártires não derramariam o seu sangue. Compreendi que o Amor encerra todas as vocações, que o Amor é tudo. Que ele inclui todos os tempos e lugares. Então, no excesso da minha alegria delirante gritei: Ó Jesus, meu amor, encontrei finalmente a minha vocação... A minha vocação é o Amor".
FONTE:
Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus da Santa Face Rua Campos Elíseos, 540, Alto Barroca, Belo Horizonte - MG - Brasil
http://www.teresinha.com/porqueamar.html
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